O MEIO AMBIENTE E COMUNIDADES TRADICIONAIS.
Neto de Azile.
Geógrafo e ativista do movimento negro.
Coordenador Geral do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão - FERMA.
A realidade ambiental hoje salienta a discussão em todos os níveis e dimensões da vida humana. O equilíbrio entre o meio ambiente e a sociedade industrial é um ponto convergente entre todos os povos e nações. Consiste o meio ambiente em todo o espaço apreensível por nossos sentidos. O senso comum formula a ideia que o meio ambiente é um espaço remanescente alheio a ação antrópica.
Deparamos hoje à nossa volta com a segunda natureza. Desmatamento, poluição, perda e envenenamento do solo, expansão urbana, enfim, e impressões do ser humano sobre a superfície.
A cada avanço tecnológico o espaço é reelaborado. Como produto dessa humanização os impactos ambientais comprometem a qualidade de vida do planeta diferentemente. Entretanto essa realidade se mostra bem diferente quando a apreensão resulta da interferência dos povos e comunidades tradicionais.
O decreto 6.040/2007 define estas comunidades como grupos que possuem formas próprias de organização social que reproduzem historicamente seu modo de vida com relações sustentáveis com a natureza e neste sentido desempenham papel fundamental para manutenção do equilíbrio ecológico.
Os povos tradicionais apresentam um modelo de ocupação e uso dos recursos naturais com fraca articulação com o mercado, com uso intensivo de mão de obra familiar e tecnologias de baixo impacto derivadas de conhecimentos patrimoniais de base sustentável. Destes saberes dependem a conservação dos recursos, a subsistência e a salvaguarda da tradição.
São comunidades tradicionais os ribeirinhos, quebradeiras de coco, quilombolas, comunidades de terreiro, indígenas e muitos outros. Seus conhecimentos e expressões, antes consideradas artesanais, pré-industriais ou limitadas, a cada dia tem se tornado eficaz na luta contra a degradação ambiental advinda da exploração em larga escala dos recursos naturais.
Considerados muitos vezes, ou comumente, folclóricos, os saberes tradicionais são menosprezados, desconsiderando-se, desta forma, experiências centenárias que vão desde uso da terra, cultivo e manejo, até o convívio equilibrado com os elementos naturais. Esse legado cultural é transmitido ao longo de várias gerações.
Com os avanços tecnológicos, isto é, a modernidade, estes agentes sociais, que vivem numa espécie de simbiose ambiental, sã atingidos por grandes projetos e tratados como primitivos e atrasados.
O território e o meio natural incluso é condição indispensável para a reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Os saberes tradicionais resultam de uma evolução histórica e conjunta entre estes povos e seus territórios. Neste modelo as sociedades modernas podem utilizar essa lógica para amenizar as agressões ao ecossistema.
Os problemas enfrentados pelas comunidades tradicionais é fruto do modelo capitalista de desenvolvimento econômico. Ocupam espaços há um tempo significativo, não tem registro legal e propriedade da terra. O embate advém da visão de ser impossível de se falar em conservação sem falar em retirada da população que habita o local, relação antagônica dos modos de vida tradicionais.
O Estado brasileiro tem imposto as comunidades tradicionais restrições ao seu modo de vida. Isto se dá na observância dos planos de manejo das áreas de proteção e legislação que se chocam com a manifestação cultural destes povos. A proibição do uso de áreas de preservação restringe o exercício de sua cultura. Entretanto essa política ambiental utilizada não é igual para todos. Muitas agressões ao ambiente são frutos das fragilidades desses marcos legais e falta de fiscalização e cabe ressaltar que estas ações criminosas não contam com a participação desses povos.
PONTO DE CULTURA DANBIRAXÉ MÍDIA LIVRE: Consultoria em gestão do patrimônio cultural, cartografia cultural, cultura digital e empreendedorismo cultural. Mídia de cobertura colaborativa da cultura maranhense
domingo, 23 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
IPHAN PROMOVE TITULAÇÃO DO TAMBOR DE CRIOULA EM 14/12/2012
A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão promove, na próxima sexta-feira, dia 14 de dezembro, a solenidade de titulação do Tambor de Crioula, manifestação da cultura popular maranhense registrada em 18 de junho de 2007, no Livro de Registro das Formas de Expressão, como Patrimônio Cultural do Brasil. O evento acontecerá às 16h30min, no auditório Rosa Mochel, do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, com a presença de representantes dos grupos de Tambor de Crioula de São Luís, São José de Ribamar e Paço do Lumiar e das entidades que congregam os grupos, além da superintendente do Iphan no Maranhão, Kátia Bogea; da secretária de Estado da Cultura, Olga Simão; do presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís, Euclides Moreira; e do presidente da Comissão Maranhense de Folclore, Sérgio Ferretti.
Precedendo a titulação, o Comitê Gestor da Salvaguarda do Tambor de Crioula realizará uma reunião com os representantes dos cerca de 100 grupos de Tambor de Crioula dos municípios da Ilha de São Luís. Na ocasião, o coordenador geral do Comitê Gestor, Neto de Azile, fará uma exposição das ações desenvolvidas pelo Comitê durante o ano de 2012 e do Plano de Trabalho elaborado para o ano de 2013.
A entrega dos títulos e das certidões de registro do Tambor de Crioula como patrimônio cultural brasileiro consolida o registro desse bem cultural como referência para a cultura brasileira a partir do reconhecimento da sociedade brasileira, por intermédio do Governo Federal, da importância do Tambor de Crioula, manifestação cultural de afrodescendentes, para a formação do povo brasileiro.
“Com o título de Patrimônio Cultural brasileiro estamos conseguindo mobilizar recursos públicos dos Governos federal e estadual que serão aplicados na salvaguarda do Tambor de Crioula”, revelou Kátia Bogea, superintendente do Iphan no Maranhão, lembrando que foi assinado um convênio com a Secretaria de Estado da Cultura no qual o Iphan repassou R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para execução das ações do projeto ‘Salvaguarda do Tambor de Crioula, mediante uma contrapartida de R$ 125.000,00 (cento e vinte cinco mil reais) da Secma.
Com esses recursos, serão realizadas oficinas, seminários, encontros e festivais com o objetivo de valorizar e promover a salvaguarda dessa expressão cultural maranhense. As ações terão como público alvo os praticantes do Tambor de Crioula no Maranhão. Está prevista, ainda, a produção de vídeos, gravação de CD’s e compra de equipamentos para o Centro de Referência do Tambor de Crioula sediado na Rua da Estrela, cujas obras estão em andamento, com previsão de entrega da Casa para 2013.
Para o coordenador do Comitê Gestor, Neto de Azile, o título representa a garantia de valorização e preservação da manifestação cultual Tambor de Crioula e, em especial, desencadeia mecanismos públicos e privados para manutenção da tradição dos modos de fazer dos grupos, além de viabilizar a sustentabilidade desse bem cultural, ações estruturantes do processo de salvaguarda.
Serão entregues 100 certificados e 100 certidões emitidos pelo Iphan, atestando que o Tambor de Crioula é Patrimônio Cultural do Brasil. Após a entrega, uma roda de Tambor de Crioula será realizada na Praça Valdelino Cécio para comemorar a titulação do primeiro bem cultural maranhense registrado no Iphan.
(Izaurina Nunes - Iphan/MA)
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
OFICINA DE TAMBOR DE CRIOULA EM RORAIMA
Durante a Semana Tipiti, Arte e Cultura na Amazônia, em Roraima, numa parceria da Universidade Federal de Roraima e a Superintendência Regional do Iphan-RR o Tambor de Crioula do Mestre Leonardo, de São Luis do Maranhão, iniciou oficina de dança, canto e percussão do Tambor de Crioula para os universitários e público em geral. A oficina terá duração de 3 dias dividida em 2 módulos por dia: Abordagem teórica sobre os aspectos culturais, lúdicos e simbólicos do Tambor de Crioula e a Importância do Processo de Salvaguarda como Patrimônio Cultural do Brasil pelo professor Neto de Azile e a parte prática de dança,percussão e canto ministradas pelos mestres e mestras.
II Reunião de Salvaguarda Bens Registrados Patrimônio Cultural do Brasil
Aconteceu em Brasília, de 08 a 10 de novembro a II Reunião de Salvaguarda dos
Bens Culturais registrados como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Naconal – Iphan. Entende-se por patrimônio imaterial, os modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades; festas, rituais e folguedos que marcam as vivências relativas do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e outras práticas de vida social; inscrição de manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; espaços como mercados, feiras, praças e santuários onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.
Com o registro é instituída a obrigação pública de documentar e acompanhar a dinâmica das manifestações culturais inseridas nesta categoria, promove o reconhecimento e a implementação, em parceria com entidades públicas e privadas, ações de promoção e divulgação, bem como favorece a transmissão e continuidade das manifestações registradas.
Reuniram-se então 25 bens registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan para apresentarem a realidade situacional dos seus processos de salvaguarda, ou seja, como estão as ações de proteção desses bens após o registro.
Bens Registrados:
1. Ofício das Paneleiras de Goiabeiras
2. Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi
3. Círio de Nossa Senhora de Nazaré
4. Samba de Roda do Recôncavo Baiano
5. Modo de Fazer Viola-de-Cocho
6. Ofício das Baianas de Acarajé
7. Jongo no Sudeste
8. Cachoeira de Iauaretê – Lugar sagrado dos povos indígenas dos Rios Uaupés e Papuri
9. Feira de Caruaru
10. Frevo
11. Tambor de Crioula do Maranhão
12. Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: Partido Alto, Samba de Terreiro e Samba-Enredo
13. Modo artesanal de fazer Queijo de Minas, nas regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre
14. Roda de Capoeira
15. Ofício dos mestres de capoeira
16. Modo de fazer Renda Irlandesa (Sergipe)
17. O toque dos Sinos em Minas Gerais
18. Ofício de Sineiro
19. Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (Goiás)
20. Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe
21. Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro
22. Festa de Sant' Ana de Caicó
23. Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão
24. Saberes e Práticas Associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá
25. Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá
Do Maranhão participaram os representantes dos Comitês Gestores do Tambor de Crioula e do Complexo Cultural do Bumba Meu Boi.
O tambor de crioula, registrado em junho de 2007, apresentou sua avaliação focando nos avanços do processo de salvaguarda:
1 – A Constituição de fato e direito do Comitê Gestor;
2 – O projeto de Salvaguarda;
3 – E a Construção do Centro de Referência – A Casa do Tambor.
O resultado do evento foi a maior integração entre os bens culturais presentes e a troca saberes e experiências que muito fortaleceu os processos no Maranhão. Ao final o Maranhão apresentou o Tambor de Crioula para os demais presentes.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Homens receberam atendimento no Dia H na Liberdade
SÃO LUÍS - Homens de diversas faixas etárias deixaram o preconceito de lado e participaram, no sábado (10), do Dia H - Dia da Saúde do Homem, atividade, realizada no Bairro da Liberdade, que ofereceu atendimento preventivo à saúde do homem, em especial aos homens negros, com atenção às doenças crônicas como diabetes, hipertensão, obesidade e, ainda, câncer de pênis e próstata.
Estavam presentes na atividade a secretária de Estado de Igualdade Racial, Claudett Ribeiro; representantes da Fundação Josué Montello, Ocirema Gomes de Oliveira e Joana Pinheiro; representante do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão (Ferma), Miguel Santos; a chefe do Departamento de Atenção à Saúde do Adulto e Idoso (SES), Teresa Carvalho; a professora Nair Portela e estudantes do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); a diretora da Escola Municipal Ministro Mário Andreazza, Ana Ruth Barbosa; o presidente do Conselho de Segurança Comunitária da Liberdade, Márcio Crispin; representantes do Coletivo de Entidades Negras (CEN); lideranças comunitárias da Liberdade; e, as médicas Helena Santos e Fauzia, somando mais de 40 voluntários.
Na abertura do Dia H, a secretária de estado de Igualdade Racial, Claudett Ribeiro, deu início às atividades, dando as boas vindas aos homens que já aguardavam o atendimento e agradecendo aos parceiros que aderiram na construção da ação. "A idéia do Dia H está focada no direito à saúde e na busca daqueles homens que precisam aprender a ter cuidados consigo. O empenho de todos os parceiros, inclusive das lideranças do Bairro da Liberdade, nos ensina que a força está na comunidade", disse Claudett Ribeiro.
Também na abertura, a professora do curso de Enfermagem, Nair Portela, destacou o quadro preocupante da saúde do homem e ressaltou a importância de iniciativas como essa. "Nos últimos anos a saúde do homem tem sido mais observada pelos dados alarmantes inclusive no nosso estado. É importante fazermos ações voltadas para esse público para mudar esse sentimento de resistência e preconceito que prevalece", disse a professora Nair Portela.
Em apenas uma manhã, profissionais e estudantes da área da saúde atenderam mais de 120 homens da Liberdade, na Escola Municipal Ministro Mário Andreazza. Antes mesmo do início da atividade os homens já formavam fila no pátio da escola. Ao chegar eles preenchiam uma ficha com informações pessoais e, em seguida, eram encaminhados ao atendimento para aferir a pressão arterial, verificar o índice de glicemia, altura e peso. Durante todo o procedimento eram orientados sobre os cuidados necessários para garantir saúde e qualidade de vida.
Para Miguel Santos, representante do Fórum de Religiões de Matrizes Africanas (Ferma), uma das entidades idealizadoras do evento, a participação masculina superou as expectativas. "Nós ficamos muito felizes de contar com o apoio e participação da comunidade da Liberdade. Nós conseguimos reunir aqui diversas lideranças e até pessoas de outros bairros. Isso é um estímulo para darmos continuidade a esse trabalho de valorização da população masculina, em especial dos negros da nossa cidade", disse Miguel Santos.
Um dos primeiros a chegar, o senhor Luizan Silva Costa, 46 anos, acredita que iniciativas como essa podem estimular uma mudança na forma de pensar dos homens. "Nós sabemos o quanto a saúde do homem vem sendo negligenciada, porque o homem é muito preconceituoso e não busca atendimento. Essa ação do Dia H é uma forma de estimular os homens a se cuidarem mais e evitar que muitos morram por falta de informação e cuidado básico", afirmou Luizan Silva.
Além do atendimento ambulatorial, os homens participaram de oficinas sobre diabetes e câncer de pênis e próstata ministradas por estudantes do 5º período do curso de enfermagem da UFMA, sob a coordenação da professora e enfermeira, Nair Portela. "Para nós que somos estudantes, essas atividades são essenciais para aprendermos a cuidar do paciente por meio do contato direto", disse a estudante de Enfermagem, Kaliny Mendes.
A atividade contou, também, com a apresentação das crianças do Bloco Afro Netos de Nanã, que mostraram a riqueza da cultura afro-brasileira por meio da dança e da música.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
AÇÃO DE SAÚDE PREVENTIVA DO HOMEM NO BAIRRO DA LIBERDADE EM SÃO LUIS - MARANHÃO Dia H – Dia da Saúde do Homem.
AÇÃO DE SAÚDE PREVENTIVA DO HOMEM NO BAIRRO DA LIBERDADE EM SÃO LUIS - MARANHÃO
Dia H – Dia da Saúde do Homem.
Tema: Dia H – Dia da Saúde do Homem.
Local: Bairro da Liberdade
Data/horário: 10 de novembro de 2012, das 8 às 12h.
Proponentes: Fundação Josué Montello, Coletivo de Entidades Negras e FERMA,
Parceiros: Universidade Federal do Maranhão/Centro de Ciências Biológicas, Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial do Estado do Maranhão, Secretaria de Estado da Saúde e Lideranças Comunitárias do bairro da Liberdade.
1. JUSTIFICATIVA:
A maioria dos Homens quando buscam atendimento, já o procuram quando sua condição de saúde está a nível secundário, ou seja, necessitando de especialistas, pois já estão com morbidades instaladas. Desta forma, torna-se importantíssimo serem dadas orientações a essa população, visando à consciência do mesmo, a buscarem atendimento a nível primário, evitando assim transtornos mais sérios, atingindo com isto, uma adequada qualidade de vida.
É necessária uma política de saúde voltada o homem, para desmistificar o estereótipo de masculinidade que compromete o acesso aos serviços de saúde e a adesão ao tratamento, sobretudo devido à crença na invulnerabilidade do homem.
Devido altos índices de mortalidade masculina sobre tudo quando se faz uma comparação com a mortalidade feminina.
A taxa de mortalidade por homicídios entre homens é 12 vezes maior que a feminina, chegando a 15 vezes entre 20 e 29 anos ( dados da Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde).
Conforme dados do Ministério da Saúde, em 2007, enquanto as mulheres somaram 16 milhões de consultas ao ginecologista, as consultas com os urologistas somaram 2 milhões, entre homens, mulheres e adolescentes, o que nos leva a perceber o quanto é menor a procura do público masculino a esse especialista.
Em função das doenças crônicas como, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, tumores malignos e benignos, infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, enfisema pulmonar etc., a diferença dos números de atendimento ao serviço de saúde entre homens e mulheres é alarmante.
São somados agravantes como o tabagismo, alcoolismo, ingestão de alimentação baseada em gorduras trans e carnes, vida sedentária, violência, DST, que acometem de maneira mais geral a população masculina.
Em função desta realidade e da sobrecarga do sistema de saúde pública do Estado, e por extensão do município de São Luis, a presente proposta, visa proporcionar as populações socialmente vulneráveis dos bairros mais carentes da cidade acesso a serviços de saúde básicos para homens.
O bairro da Liberdade, área periférica de São Luis, foi escolhido como ponto de partida para início do projeto pois apresenta a maior concentração por área de afrodescendente em condições socioeconômicas precárias, já que no Brasil pobreza tem COR e tem ENDEREÇO.
2. OBJETIVOS:
• Oferecer serviços de saúde preventiva: Obesidade, Doenças Cardiovasculares, Diabetes, Tabagismo testagem de PA, colesterol, hipertensão e câncer de próstata.
• Desenvolver habilidades emocionais (afetividade, interação social, paternidade responsável) com vistas ao fortalecimento dos vínculos familiares.
• Informar sobre prevenção de DST’s / AIDS.
3. PÚBLICO ALVO:
Homens preferencialmente, na faixa etária de 20 a 59 anos, moradores no bairro Liberdade, na cidade de São Luís.
4. METODOLOGIA
1. As pessoas do gênero masculino moradores do bairro Liberdade, em especial, na Vila Maruim e entorno, serão mobilizadas para vivenciarem um espaço coletivo de saúde promovido por agentes sociais do terceiro setor, dos órgãos públicos e organizações comunitárias. O ponto central do processo de sensibilização e mobilização dar-se-á junto aos 800 (oitocentos) alunos da Unidade Integrada Mário Andreazza e junto às lideranças comunitárias. Para disseminar os objetivos da atividade deverá ser produzido um material contendo informações básicas que será distribuído nos mercados, nas quitandas, nos açougues, nas igrejas, nas comunidades de terreiro e em outros espaços públicos.
2. A equipe executora da atividade será constituída por representantes da Fundação Josué Montello, Coletivo de Entidades Negras, FERMA, Universidade Federal do Maranhão/Centro de Ciências Biológicas, Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial, Secretaria de Estado da Saúde e Lideranças Comunitárias do Bairro da Liberdade.
3. Os serviços de saúde oferecidos e os conteúdos das atividades sócio-educativas serão focados no Programa Saúde do Homem/SES/Ministério da Saúde. Para garantir atendimento de qualidade e monitorar os resultados, as estratégias operacionais e as providências administrativas serão definidas pelos integrantes da equipe de trabalho. Para garantir a organização das atividades faz-se necessária a implantação de núcleo de coordenação constituído por:
01 coordenador geral a quem caberá administrar a instalação dos serviços de saúde, ambientação do espaço, a distribuição dos técnicos, médicos e estagiários, a acolhida dos usuários, o registro e monitoramento da participação.
01 coordenador operacional a quem caberá a limpeza, organização do espaço, a guarda dos equipamentos e apoio a equipe de trabalho.
4. A divulgação da presente atividade dar-se-á no processo de mobilização, de execução e de avaliação dos resultados obtidos. Serão utilizados meios de comunicação existentes no bairro e a mídia em geral.
5. O esquema de atendimento aos usuários da atividade prevê:
Atendimento médico (testagem de PA, diabetes, colesterol, hipertensão, primeiros socorros, DST/AIDS em câncer de próstata.)
Oficinas de relações socioemocionais.
Oficinas de terapias alternativas para saúde.
Palestras/Oficinas sobre doenças sexualmente transmissíveis, cardiovasculares e tabagismo.
6. Nos casos em que os usuários necessitarem de atendimentos específicos, os órgão de saúde presentes farão os devidos encaminhamentos.
7. Os recursos materiais e financeiros serão compartilhados com os representantes da Fundação Josué Montello, Coletivo de Entidades Negras, FERMA, Universidade Federal do Maranhão/Centro de Ciências Biológicas, Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial, Secretaria de Estado da Saúde e Lideranças Comunitárias do Bairro da Liberdade.
5. RESULTADOS PRETENDIDO
Homens, preferencialmente, na idade de 20 a 59 anos, moradores no bairro Liberdade, com atendimentos realizados no espaço de saúde coletivo.
Homens, preferencialmente, na idade de 20 a 59 anos, moradores no bairro Liberdade com habilidades emocionais nos vínculos familiares vivenciadas.
Grupo de Trabalho:
Profª Claudete Ribeiro – Secretária de Estado de Igualdade Racial do Maranhão
Joana Pinheiro – Fundação Josué Montelo
Karine Ericeira – Fundação Josué Montelo
Teresa Carvalho – Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão
Silvane Ribeiro – Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão
Ana Luisa – Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão
Profª Nair Portela – UFMA
Jairon Sousa – SEIR
Neto de Azile – CEN/FERMA
Wender Louredo – FERMA
Miguel Amaral - FERMA
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Participação de povos de terreiro na SBPC é incentivada
A participação dos povos de terreiro é fruto da articulação entre a Secretaria de Estado da Igualdade Racial (Seir), órgão vinculado à Casa Civil, e a Secretaria de Estado de Trabalho e Economia Solidária, que realizará na SBPC a Feira de Economia Solidária e Agricultura Familiar, onde serão inseridas as atividades das comunidades de terreiro. Para a Gestora de Comunidades Tradicionais da Seir, Josanira Santos da Luz, a participação na feira trará visibilidade à produção das comunidades de terreiro e será uma oportunidade de aproximar a comunidade científica dos saberes tradicionais. "Ao participar da Feira de Economia Solidária e da SBPC, os povos de terreiro terão oportunidade de mostrar a sua produção e expor elementos da cultura afro-brasileira, saberes e fazeres tradicionais dos terreiros. Nós da Seir estaremos presente para contribuir com o apoio logístico e o assessoramento para mobilização e divulgação das atividades", afirmou a gestora Josanira Santos da Luz.
Dentro da feira, os representantes dos terreiros terão quatro espaços para divulgar os saberes e fazeres das comunidades, com sala temática onde irão reproduzir o terreiro de mina, tenda para exposição e venda de produtos, auditório para realização de rodas de conversa e veiculação de vídeos documentários. Haverá uma média de 15 terreiros representados no evento."A presença das comunidades tradicionais no espaço científico é uma forma de reconhecer que o conhecimento tradicional é a base para o conhecimento científico. Vamos mostrar como as comunidades de terreiro desenvolvem ações de enfrentamento à pobreza com foco na sustentabilidade e as alternativas para esse modelo econômico excludente em que vivemos", ressaltou Neto de Azile, coordenador do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão (Ferma).
Na última sexta-feira (13) foi realizada reunião na sede da Seir com representantes das comunidades de terreiro para construírem juntos a programação e definir que produtos poderiam expor. Durante o evento haverá exposição e comercialização artesanato, guias, bordados, esculturas, camisas com temáticas alusivas à cultura de matriz africana. Para a exibição de vídeos foram escolhidos pelo grupo os documentários "Dança das Cabaças - Exu no Brasil", "O Poder do Machado de Xangô", "Imbarabô", "Até Oxalá Vai à Guerra", "Casa das Minas - Os voduns reais de São Luís" e "Na Rota dos Orixás". A proposta é que seja exibido um vídeo por dia, no intervalo do almoço.
A Feira de Economia Solidária e Agricultura Familiar será realizada no Centro de Ciências Humanas (CCH/UFMA). O espaço dedicado às comunidades de terreiro ficará no hall do CCH e no Auditório José Ribamar Chaves Caldeira
Fonte: Jornal O Imparcial, caderno Urbano de 17/07/2012
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