domingo, 24 de julho de 2011

IBGE DIVULGA RESULTADOS SOBRE COR E RAÇA


O estudo “Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça” (PCERP) coletou informações em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios, no Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Entre os resultados, destaca-se o reconhecimento, por 63,7% dos entrevistados, de que a cor ou raça influencia na vida.
Entre as situações nas quais a cor ou raça tem maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar, seguido pela relação com a polícia/justiça, o convívio social e a escola.
Dos entrevistados, 96% afirmam saber a própria cor ou raça. As cinco categorias de classificação do IBGE (branca, preta, parda, amarela e indígena), além dos termos “morena” e “negra”, foram utilizadas.
Entre as dimensões da própria identificação de cor ou raça, em primeiro lugar vem a “cor da pele”, com 74% de citações, seguida por “origem familiar” (62%), e “traços físicos” (54%). A íntegra do estudo está disponível em:
www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/default_raciais.shtm
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/images/1933_3053_145821_900104.gif
Influência da cor ou raça na vida é reconhecida por 63,7% dos entrevistados
Mais da metade dos entrevistados (63,7%) pela PCERP disseram que a cor ou raça influencia a vida das pessoas. Entre as unidades da federação pesquisadas, o maior percentual de resposta afirmativa foi registrado no Distrito Federal (77,0%) e o menor, no Amazonas (54,8%). As mulheres apresentam percentual maior do que os homens: 66,8% delas disseram que a cor ou raça influenciava, contra 60,2% deles. Na divisão por grupos etários, os maiores percentuais de resposta afirmativa ficaram com as pessoas de 25 a 39 anos (67,8%), seguidas pelas pessoas de 15 a 24 anos de idade (67,2%). Os dois grupos se alternam na liderança desse quesito em todos os estados, mas no Distrito Federal o destaque é do grupo de 40 a 59 anos, com 79,5%.
Trabalho é citado como a situação mais influenciada por cor ou raça
Sobre situações em que a cor ou raça influencia a vida das pessoas no Brasil, em primeiro lugar aparece “trabalho”, resposta que foi dada por 71% dos entrevistados. Em segundo lugar aparece a “relação com justiça/polícia”, citada por 68,3% dos entrevistados, seguida por “convívio social” (65%), “escola” (59,3%) e “repartições públicas” (51,3%).
O Distrito Federal se destacou com os maiores percentuais de percepção da influência da cor ou raça em quase todas as situações citadas, tais como “trabalho” (86,2%), “relação com justiça/polícia” (74,1%), “convívio social” (78,1%), “escola” (71,4%) e “repartições públicas” (68,3%). Apenas em “casamento”, a Paraíba ficou com 49,5% contra 48,1% do DF.
96% dos entrevistados afirmam saber a própria cor ou raça
Dos entrevistados, 96% afirmam que saberiam fazer sua autoclassificação no que diz respeito a cor ou raça. Ao ser indagada a cor ou raça (com resposta aberta), 65% dos entrevistados utilizaram uma das cinco categorias de classificação do IBGE: branca (49,0%), preta (1,4%), parda (13,6%), amarela (1,5%) e indígena (0,4%), além dos termos “morena” (21,7%, incluindo variantes “morena clara” e “morena escura”) e “negra” (7,8%). Entre os estados, o Amazonas se destacou com o menor percentual de respostas para cor “branca” (16,2%) e a maior proporção de uso do termo “morena” (49,2%). Já o maior percentual da resposta “negra” foi no Distrito Federal (10,9%), onde as respostas “branca” e “parda” tiveram proporções iguais (29,5%).
Comparando a classificação de cor ou raça do entrevistado feita por ele mesmo (autoclassificação) e a atribuída pelo entrevistador (heteroclassificação), observou-se um nível de consistência significativamente alto, com exceção para o caso da categoria “morena”, mais usada pelo entrevistado (21,7%) do que pelo entrevistador (9,3%). Essa discordância foi maior na Paraíba, onde 45,7% dos entrevistados se autoclassificam como “morenos”, mas o termo só foi usado pelos entrevistadores em 4,3% dos casos.
Cor da pele é dimensão mais citada para definir cor ou raça
Entre as dimensões de identificação oferecidas aos entrevistados, em relação à auto-identificação de cor ou raça, a que mais aparece é a “cor da pele”, citada por 74% dos entrevistados. Seguem “origem familiar” (62%) e “traços físicos” (54%). Já na identificação das “pessoas em geral”, a dimensão mais citada foi a “cor da pele” (82,3% dos entrevistados), seguida de “traços físicos (cabelo, boca, nariz, etc.)” (57,7%) e “origem familiar, antepassados” (47,6%).
Pesquisa abordou diversos elementos de identificação
As entrevistas foram feitas com uma pessoa de 15 anos ou mais de idade por domicílio, selecionada aleatoriamente. A pesquisa abordou a identificação do entrevistado a partir de uma pergunta aberta (autoclassificação), sondando algumas dimensões que compõem a identificação de cor ou raça para “as pessoas em geral” e para o próprio entrevistado (cultura, traços físicos, origem familiar, cor da pele etc.). Também perguntou sobre a origem familiar (africana, européia, do Oriente Médio, entre outras) e se o entrevistado se reconhecia com uma série de alternativas de identificação (afro-descendente, indígena, amarelo, negro, branco, preto e pardo), além de levantar informações sobre educação e inserção ocupacional do pai e da mãe da pessoa entrevistada. Muitas perguntas permitiram respostas múltiplas. Em paralelo à autoclassificação, o entrevistador atribuía uma cor ou raça ao entrevistado com uma pergunta aberta (heteroclassificação). Finalmente, a pesquisa abordou a percepção da influência da cor ou raça em alguns espaços da vida social.
Comunicação Social
22 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

SEMINÁRIO PREPARATÓRIO PARA 8ª PARA DE DIVERSIDADE DO MARANHÃO

PROGRAMAÇÃO DO SEMINARIO da VIII PARADA DO ORGULHO LGBT DE SÃO LUÍS
UNIDO PELA LIBERDADE EM DEFESA DO ESTADO DO ESTADO LAICO
LOCAL: AUDITORIO DO CONVENTO DAS MERCÊS –Centro Historico
Manhã: 08h00min Credenciamento
08h30min: Mesa de Abertura
Representante da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Cidadania
Representante da Secretaria de Estado da Saúde
Representante da Secretaria Municipal de Saúde
Representante do Fórum Estadual de ONGS LGBT
09h00min: Mesa de Dialogo1
Violência, Gênero e Sexualidade sobre a ótica do Racismo, da Homofobia e do Sexismo.
Lucia Regina Azevedo-Representante do Centro de Formação e Cidadania AKONI
Professora Sandra- Universidade Federal do Maranhão
Maria do Socorro Guterres- Centro de Cultura Negra do Maranhão
Maria Teresa Seabra -Diretora da Escola Técnica do SUS
Coordenação d a Mesa: Benedito de Sousa Guilhon Filho Grupo Gayvota/Centro Dreg
10h00min – Debate
10h30min – Mesa de Dialogo2:
A decisão do Supremo Tribunal Federal: Rumos e Perspectiva para a população LGBT.
Representante da Comissão de Direitos Humanos da OBA- MA
Caio Fabio Varela – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais-
ABGLT
Representante do Ministério Publico –
Ana Lorena – Representante da Defensoria Publica – Núcleo Mulher e LGBT
Coordenadora da Mesa: Babalu Rosa – Grupo Solidário Lilás
11h00min- Debate

11h30min – Mesa de Dialogo3:
Juventude, Vulnerabilidade e Políticas Publicas.
Representante do Centro de Formação e Cidadania Akoni
Representante Fórum de Defesa da Criança e do Adolescente – FDCA
Suel Pereira - Representante do Grupo Passo livre
Representante do Fórum Estadual da Juventude
Coordenador d a Mesa: Representante do Centro Dreg
12h30min – Almoço
13h30min - Mesa de Dialogo4
Conversando sobre á Saúde da População LGBT
Representante da Coordenação Estadual de DST/HIV/AIDS
Representante da Coordenação Municipal de DST/HIV/AIDS de São Luís
Representante do Fórum Estadual de ONGS LGBT
Representante do Fórum de ONGS AIDS
Jovanna Baby - Presidente da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais
Benedito de Sousa Guilhon Filho – Representante do Grupo Gayvota e Centro Dreg
14h30min – Debate
Coordenadora da Mesa: Maria de Jesus – Associação das Profissionais do Sexo- Aprosma
15h00min – Mesa de Dialogo5
O Maranhão em Defesa do Estado Laico
Lusa Brandão- Representante da Rede Nacional de Religião Afro e Saúde-Ma
Neto de Azile – Representante do Fórum de Religiões de Matriz Africana – MA / CEN - MA
Caio Fábio Varela – Representante da Associação brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
Coordenadora da Mesa: Celise Azevedo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

COITADA DA NORMA

Coitada da Norma, tão culta…
– E a Norma, hein?

– O que é que tem?

– Você não soube? Anda mal falada.

– A Norma? Depois de velha? Mas ela é tão culta!

– Pois é. E com aquela pose toda, a mania de ditar regrinhas de bom comportamento, de corrigir todo mundo…

– Mas o que foi que aconteceu?

– Ora, o que aconteceu é que caiu a máscara da madame, né? Descobriram finalmente como ela é autoritária, elitista e preconceituosa. E pior, arbitrária, totalmente desconectada da realidade.

– Puxa, eu sempre achei a Norma tão correta…

– Correta demais, aí é que está. Era para desconfiar, acho que demorou. Parece que até aqueles amigos que ela se orgulhava de ter no ministério andam virando a cara para ela.

– Ah, coitada. Eu sinto pena.

– Pois eu acho ótimo. Nunca fiquei à vontade na presença da dona, sabia? Muitas vezes aconteceu de eu ter alguma coisa importante para falar e ficar com medo. Preferia nem abrir a boca.

– Isso é verdade, a Norma sempre foi difícil.

– Tá vendo? Nem você, que é meio puxa-saco, está disposto a defender a megera!

– Estou sim, defendo sim. E você? Fica aí esculachando mas até que está se expressando direitinho, do jeito que ela gosta.

– Eu?

– Você.

– Ah, você não viu nada, meu amigo. A gente vamos barbarizar!

Fonte: Revista Veja

terça-feira, 12 de abril de 2011

OAB entra com representação contra Jair Bolsonaro pelos crimes de racismo e homofobia


Deputados de três partidos também entraram com representação contra Bolsonaro. Na internet, defensores dos movimentos negros e LGBT criaram petição para pedir a cassação do mandato do deputado do PP.


Redação ÉPOCA, com Agência Brasil


A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) entrou nesta quarta-feira (30) com um processo contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) após ele ter feito um comentário de teor racista em um programa de televisão. A Ordem apresentou à Mesa Diretora da Câmara uma representação de sete páginas em que acusa o deputado pelos crimes de racismo e homofobia.



Bolsonaro é acusado por ter respondido a uma pergunta feita pela cantora Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, com tom racista. Ao ser questionado sobre como reagiria caso seu filho namorasse uma negra, Bolsonaro respondeu: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu (de Preta Gil)”.



Tentando contornar a gafe, Bolsonaro acabou piorando sua situação ao se justificar dizendo que tinha entendido que Preta Gil lhe perguntara se seu filho namoraria outro homem, o que ele considera impossível. A comunidade LGBT reagiu, e, na tarde de quarta, Bolsonaro voltou a inflamar a discussão ao afirmar, durante o velório do ex-vice-presidente José Alencar, que está se “lixando” para o movimento gay.



"Estou me lixando para o movimento gay. O que eles têm para oferecer? Casamento gay? Adoção de filho por gay? Nada disso acrescenta nada", disse Bolsonaro. O parlamentar afirmou também não ter medo da ação de seus adversários. "Soldado que vai a guerra e tem medo de morrer é covarde".


Já no final da noite de terça, três partidos (P-SOL, PCdoB e PDT) também haviam protocolado outra representação assinada por 20 parlamentares pedindo para que a Corregedoria da Casa investigasse Bolsonaro pelos mesmos crimes - racismo e homofobia. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deve encaminhar uma solicitação à corregedoria.



A polêmica toda começou após o vídeo em que Bolsonaro fez as declarações ser disponibilizado na internet, o que gerou reação instantânea da sociedade, principalmente pelas redes sociais. Em resposta, internautas defensores e simpatizantes dos movimentos negros e LGBT criaram, online, petição a ser encaminhada ao Congresso pedindo a cassação do mandato de Bolsonaro. O documento, disponível no site Change, já conta com mais de 4.800 assinaturas.



Na Câmara, curiosamente, Jair Bolsonaro é membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, mas, de acordo com a própria presidente, deputada Manuela D’ávila (PCdoB-RS), ele não poderia ter direito de atuar na comissão uma vez que não defende os direitos humanos. Os deputados que assinaram a representação contra Bolsonaro - Manuela é uma delas - pedem que o parlamentar seja destituído, pelo próprio PP, da comissão após o escândalo.



Antes de ser convocado pelo Conselho de Ética para prestar depoimentos, Jair Bolsonaro já se adiantou e afirmou que pediria para ser chamado a fim de esclarecer a polêmica. Em nota divulgada em seu site, o deputado afirma que não tem problemas com negros, afinal, ele próprio tem vários funcionários negros trabalhando para ele.
Fonte: www.nacaoz.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

POSICIONAMENTO OFICIAL DO COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS SOBRE POSIÇÕES DISCRIMINATÓRIAS DE DEPUTADOS FEDERAIS – CONTRA O RACISMO, O MACHISMO A HOMOFOBI

POSICIONAMENTO OFICIAL DO COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS SOBRE POSIÇÕES DISCRIMINATÓRIAS DE DEPUTADOS FEDERAIS – CONTRA O RACISMO, O MACHISMO A HOMOFOBIA E TODA FORMA DE DISCRIMINAÇÃO

O dia 21 de março é data internacional, homologada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), como o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial e o ano de 2011 foi definido pela mesma ONU como o Ano Internacional para Descendentes de Africanos.

Coincidentemente, o mês de março foi marcado por três posições discriminatórias de parlamentares brasileiros, altamente ofensivas à população negra, em particular e também às mulheres e homossexuais.

No dia 22 de março, o deputado federal Júlio Campos, do DEM/MT, provocou constrangimento ao criticar a eficácia do foro especial destinado a autoridades públicar ao dizer: “Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso Ronaldo Cunha Lima [ex-deputado e ex-governador da Paraíba] precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo, aí, já viu”, afirmou Campos.

Logo depois, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) deu uma entrevista ao programa CQC onde, questionado pela cantora Preta Gil, o que faria caso um filho seu se apaixonasse por uma mulher negra respondeu textualmente: "Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu", respondeu. Quando indagado sobre as cotas, que ele e seus dois filhos, também parlamentares no Rio de Janeiro, atuam frontalmente contrários, respondeu: "Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.

Mas foi ao se defender da repercussão imediata de sua participação no programa, principalmente às questões ligadas a racismo, por conta da resposta a Preta Gil que Bolsonaro conseguiu mostrar-se mais preconceituoso ainda. Ao afirmar que havia entendido que a pergunta se referia a um filho seu ser homossexual, ele afirmou: O homem é produto do meio, imagina se pega essa lei, permitindo que casais homossexuais adotem crianças? Vão fazer reserva de mercado para jovens garotos homossexuais. O filho vai crescer vendo a mãe bigoduda ou careca, o pai andando de calcinha ou a mãe de cueca.

Para fechar com chave de ouro o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) publicou em seu Twitter que "sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids. Fome". E continuou: "A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!". Segundo o deputado, a Bíblia sustenta a teoria de que o continente africano foi amaldiçoado. O parlamentar afirma que, pela Bíblia, Cam, filho de Noé, "vê a nudez do pai" em um momento de embriaguez de Noé e ri. Quando Noé volta em si, ele chama Cam e seu neto Canaã e joga uma maldição sobre o neto, que, posteriormente seria o responsável por povoar o continente africano.

Em entrevista, o deputado reafirmou as frases colocadas na rede social. Ele afirmou que tudo isso é um "ensinamento teológico avançado". Feliciano nega que seja racista e diz que "ora pela África". "O problema do continente africano é espiritual e se vence com oração. Isso poderia ter acontecido com outro continente, mas foi lá. Eu apenas citei um texto que é teológico para quem quiser aprender. O resto é maldade das pessoas".

A polêmica relativa à Àfrica não é a única da página do parlamentar na rede social. Feliciano faz também ataques a homossexuais. "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição", diz ele em um dos posts.

O Coletivo de Entidades Negras (CEN), organização nacional do Movimento Negro vem a público repudiar as falas dos parlamentares e afirmar que entende cada uma delas como altamente racistas, homofóbicas, machistas e que defende publicamente a cassação dos mantados dos parlamentares.
Para nós, do CEN, o direito a opinião e livre expressão é patrimônio fundamental da democracia brasileira, mas entendemos, também, que cada pessoa é responsável pela opinião que emite e deve pagar o preço do que fala e do pensamento que expõe.
Ao demonstrarem em suas falas ações e práticas discriminatórias, entendemos que estes parlamentares atuam como porta-vozes de setores da sociedade brasileira que a cada dia tornam-se mais descontentes com a mudança do status quo da sociedade brasileira com a ascensão das mulheres e negros às posições de poder – ainda que tímidas, algumas vezes.
Entendemos que nunca, em qualquer situação, um deputado se refereria a um Ministro do Supremo, como “aquele branquinho, aquele clarinho, ou branco azedo”, sem que isso soasse como desrespeito e discriminação. Não podemos aceitar que um parlamentar se arvore defensor de valores familiares retrógrados discrimine e ataque em rede nacional uma jovem artista, simplesmente porque ela tem um modo de vida diferente do seu; e, por fim, entendemos que quando um pastor afirma que uma maldição paira sobre a África, este parlamentar está simplesmente afirmando nossa tese de que intolerância religiosa e racismo caminham lado a lado.
Relembrando a frase de Jomo Keniatta, um dos grandes líderes das lutas contra o domínio europeu sobre a África, que afirmou que "Quando os missionários chegaram, os africanos tinham a terra e os missionários tinham a Bíblia. Eles nos ensinaram a rezar de olhos fechados. Quando nós os abrimos, eles tinham a terra e nós tínhamos a Bíblia", temos a plena convicção que um dos maiores problemas da África hoje é o roubo de sua identidade cultural a partir da evangelização forçada e da verdadeira lavagem cerebral que foi e ainda é praticada por grupos cristãos naquele país com o simples objetivo de não mais se apropriar das terras, mas sim, de arrecadar fundos financeiros de um povo já sufocado pela miséria e pelas guerras. E afirmamos que o mesmo que ocorre lá, também ocorre aqui no Brasi, quando vemos homens e mulheres negros evangélicos, renegarem sua origem africana, seus valores ancestrais e a religiosidade de matriz africana, como algo que os envergonha, ou os coloca num segundo plano, assimilando assim, o que é imposto em suas mentes por visões preconceituosas e distorcidas de pastores e evangelistas.
O Coletivo de Entidades Negras entende que a democracia brasileira precisa se aperfeiçoar a cada dia e que devemos, como cidadãos e com sociedade civil organizada, propor ações que dificultem o acesso ao parlamento de setores que trazem em si a defesa de pensamentos que são contrário ao que está propugnado na Contituição Federal da República, uma vez que é a constituição que agrega em torno de si o pensamento do povo brasileiro enquanto nação. E é esta constituição que afirma a liberdade de culto e a não discriminação de qualquer tipo.
Ao infringir esta constituição, de forma sutil, velada ou mesmo de forma direta, estes parlamentares ferem o decoro e devem responder por isso.
Portanto, defendemos punição exemplar aos parlamentares em questão e afirmamos o compromisso público de cada vez mais lutar contra o preconceito, o machismo, a homofobia e toda e qualquer forma de discriminação.
Assina:
COORDENAÇÃO NACIONAL DO COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS (CEN)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

MESA DE TOY AKOSSU NO TAMBOR DE MINA DO MARANHÃO



O Culto às divindades africanas no Brasil é marcada por regionalismos bem com pelo amálgama dos cultos nativos ameríndios e pela tradição católica colonizadora e aculturativa. Os negros estigmatizados com inferiores e áridos de uma religiosidade imposta pelo sistema colonial, ditos não-batizados, os pagãos politeístas, que professavam fé nos elementos da natureza, eram fadados a condição de primitivos bárbaros da visão eurocêntrica. Para fugir da perseguição os escravizados, muito sabiamente, estruturaram um artifício de resistência dissimulando seu culto, sua tradição, através da associação de suas divindades a comemoração de santos católicos do calendário cristão. Assim nasce a religião afro-brasileira. Outro componente estruturante da variedade significativa de modelos de modos de ser e fazer a liturgia afro-religiosa foi o regionalismo. Pelos vários espaços do Brasil - continental a religião afro-brasileira moldou-se em espectros e peculiaridades locacionais – Tambor de Mina, Candomblé, Batuque, Xambá, Terecô, bem como, Cura, Pajelança, Umbanda.
Entre vários rituais e obrigações do Tambor de Mina destaca-se a Ritual para o “Povo da Terra”, Família de Toy Acóssi, Akossu, da Rama/Família (Akó) dos Danbirá. Trata-se de um grande “banquete ritual” em homenagem a aos Voduns desta família como Toy Akossu, Toy Azonsu, Toy Azile, Toy Lepon, Toy Poli Boji, Toy Alogue, Toy Burutoi, Arroeju, Abroju e outros. Diferentemente dos rituais yorubá, nesta festa ritual só se manisfestam os Voduns desta família.
A Família de Danbirá, e seus Voduns, pertencem ao panteon da Terra na Nação Mina do Maranhão. Trazem marcas das doenças e dores do mundo quando ao mesmo tempo oferecem a cura, a transformação. Usam comumente tecidos estampados, guizos. Não usam, azê(capuz de palha da costa) e xaxará (centro ritual de Omulu/Obaluaie). Nos toque do tambor de mina as mulheres usam saias padronizadas de acordo com a cor do vodun/orixá festejado, completado por blusa de renda sempre branca acinturada pela saias (para dentro das saias) o que dos camisus de outras nações ficam por cima das saias rodadas. Não é comum o uso de ojá ou mesmo panos de cabeça, na verdade valoriza-se cabeleira natural, enfeitada com belas fivelas ou pequenas tranças muito discretas, que de acordo com a forma de arrumação diferenciam o sexo e hierarquia no culto. Os homens, sempre de calça branca com bata na cor do Vodun/Orixa do dia conforme a indumentária feminina.


Manifestados os Voduns da família/Clã (Ako) Sakpatá ou Akossu,por isso Akossakpatá, depois de um transe muito sutil, em silêncio, passam a toalha de rechilie ou renda, usam bengala e um lenço vermelho no ombro esquerdo, típico da família. Dançam de forma peculiar com muita senioridade, dança djeje. Cade ressaltar que nas casas de Tambor de Mina nagô estes voduns são hospedes e cultuados de forma muito peculiar.
O banquete ritual anual costuma seguir um calendário cristão, só o calendário. De acordo com o sincretismo – São Sebastião / Vodun Azonce (Azunsn); São Lázaro /Vodun Akossu (o mais velho e doente); Vodun Azile / São Roque. Estes três Voduns comandam toda a família. O banquete é oferecido sobre uma esteira (azan) coberta por grande toalha branca onde as vodunsis pertencentes a “rama”, família, sentam-se ao redor. Trajam roupas rituais e usam seus hunjeves. O ritual ao toque dos batás é iniciado cantando-se uma sequência especial invocando estas divindades e cantando histórias míticas a elas relacionadas, no final rezas em língua ritual mina são entoadas. À proporção que se manifestam são deitados e cobertos por lençóis brancos já que nesse ritual trazem sua essência primordial, sua natureza elementar que não pode ser revelada. Com as divindades presentes são servidos pratos de comida para crianças de um lado e cachorros do outro. Estas comidas são preparadas com a carne dos animais propiciatórios (imolados cerimônias privadas de revitalização do axé). Terminado o “almoço” as crianças são levantadas e os cachorros são retirados é dado um grande banho de pipoca nos presentes onde todo restante dessa obrigação é recolhido e levado ao pegí para ser despachado posteriormente.
Este ritual é suspenso e findado a noite com grande toque de tambor para família. Pode se perceber que a variedade de formas e cultos se multiplica no país. Apesar das diferenças encontramos similitudes. O banquete dos cachorros é um momento de comunhão e humildade. A inocência das crianças pequenas levam a pureza e o inicio do ciclo vital ao ritual, já os cachorros representam a cura das doenças, pois a saliva de suas “lambidas” tem poder asséptico e cicatrizante além de protegerem a asa dos seus donos das doenças que são atraídas para os mesmos.
Professo Neto de Azile. Babalorixá do Tambor de Mina do Maranhão, Geógrafo, Pesquisador de cultura afro-brasileira)
Quem é de axé diz que é! Sou da Mina com Orgulho!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

CALEM A BOCA NORDESTINOS


Calem a boca, nordestinos!



Por José Barbosa Junior





A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas,

o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles

religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira

violenta, sádica e contraditória.



Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada

dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço

parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia,

Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus

candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o

Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a

candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do

baixo-evangelicismo brasileiro.



Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na

internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas

declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso,

alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente.

Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.



Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros”

também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado

final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou

presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos”

Houaiss e Aurélio) do nosso país.



E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados

em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!



Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!



Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?



Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura

brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos

José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de

Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e

a maravilhosa Rachel de Queiroz?



Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur

Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará

nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em

seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem

tudo?



Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os

talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão,

de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o

deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!



E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de

atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e

Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do

paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.



Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será

eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e

2.



Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos

oferecer, povo analfabeto e sem cultura…



Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora

simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das

lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos

Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar

nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…



E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas

melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…



Ah! Nordestinos…



Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que

nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á

força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país?

Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um

ponto na sofrida e linda história do seu povo?



Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo

civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a

lhes ensinar.



Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam

aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo

carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender

também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco,

Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e

voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!



Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda

poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não

apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla!

Vocês adorariam!!!



Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato

Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da

melhor qualidade!



Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo

civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho

infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não

trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é

o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam

ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças,

etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo,

mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de

estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou

cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha

estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão

encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil

criticar quem precisa!



Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!



Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder

a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo

abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta

beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a

sol.



Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras

ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na

construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques,

religiões e gentes.



Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a

importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na

literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em

que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do

escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”



Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe,

queridos irmãos nordestinos!



Fonte: http://www.crerepensar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=204&Itemid=26