sexta-feira, 24 de julho de 2015

Oficina de regularização civil e fundiária de comunidades tradicionais de matriz africana Itaqui Bacanga.




FERMA/CEN e Fundação Josué Montello -Oficina de regularização civil e fundiária de comunidades tradicionais de matriz africana Itaqui Bacanga. Promotor Dr Carlos Eduardo DPU, Promotora Dra Gleisiane DPE. Promotor Dr Tarciso Bonfim PROMOTORIA DE ONG'S.

No último dia 09 de julho as comunidades tradicionais de matriz africana - comunidades de terreiro - da área Itaqui / Bacanga em São Luis do Maranhão, participaram de oficina sobre regularização de suas espaços sagrados, os terreiros,em vista de combate a intolerância religiosa e garantia de direitos.
Entre os temas desenvolvidos pelos representantes do judiciário discutiu-se sobre a regulamentação fundiária e os benefícios do formalização destes espaços enquanto personalidades jurídicas.
Muitas questões foram levantadas pelos sacerdotes e sacerdotisas presentes, como o fato de recorrentes agressões durante os cultos principalmente vindos de cristãos protestantes.
A tradição afrobrasileira é marcada pela sonoridade, pelo canto e toque dos tambores sagrados, imprescindíveis para o rito. Tão expressividade é considerada por esses "novos" vizinhos como perturbação da paz. Como consequência, o braço armado do Estado, a polícia entra em cena de forma truculenta, agressiva e violenta para acabar com o barulho, ferindo os marcos legais que garantes a liberdade religiosa neste país. Disse o professor Neto de Azile, pesquisador da cultura afro-brasileira, facilitador da oficina.
A oficina é uma foi uma iniciativa da Fundação Josué Montelo, com o projeto de Valorização dos Terreiros em execução desde 2015.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

FESTA DE SÃO MARÇAL CORRE SÉRIO RISCO DE NÃO SER REALIZADA ESTE ANO



São inúmeros os impasses no âmbito da Secretaria Estadual de Cultura na atual gestão, observados desde o rompimento da atual secretária com a deputada que a indicou para o cargo, os desentendimentos no período carnavalesco, passando pela situação de descaso com os teatros mantidos pelo poder estadual, a falta de transparência na realização do III Fórum Estadual de Cultura, apontada pelos membros do COMCULT SLZ, até o tratamento constrangedor dado a alguns servidores em eventos públicos. O descaso com o Festejo de São Marçal, parece ser a cereja do bolo no percurso de autoritarismo e insensibilidade da gestora com a cultura popular, que não levou em conta o histórico do evento, situado no bairro que ela tanto conhece, e onde a saudosa folclorista Lili Sá Marques foi tão respeitada e amada. Veja comunicado emitido pela Diretoria do Instituto São Marçal, entidade responsável pela realização do evento.:

COMUNICADO:

SÃO MARÇAL CORRE SÉRIO RISCO DE NÃO SER REALIZADA ESTE ANO

O tradicional Encontro de grupos de bumba-meu-boi de matraca, que ocorre todo ano no dia 30 de junho no bairro do João Paulo, Patrimônio Imaterial de São Luís e integrante do Complexo Folclórico do Bumba-meu-boi do Maranhão, Patrimônio Cultural do Brasil, poderá não acontecer este ano.

Por falta de sensibilidade da Secretária de Estado da Cultura, senhora Esther Marques que, apesar dos dirigentes do Instituto São Marçal de Cultura e Desenvolvimento Social e do Grupo Ação Voluntária, responsáveis pela organização da Festa de São Marçal terem encaminhado ofício desde o mês de março solicitando audiência, nunca atendeu à solicitação que visava fortalecer a parceria com o Governo do Estado e debater as demandas mínimas necessárias para complementar a estrutura de apoio aos grupos folclóricos, ao público e aos órgãos parceiros.

Após várias tentativas os dirigentes foram recebidos pelo Superintendente de Difusão Cultural que informou o restrito apoio da Secretaria de Estado da Cultura, cujo valor não cobre as despesas com troféus, com caldo de feijão e com os lanches fornecidos aos brincantes dos grupos e aos membros dos órgãos e corporações que trabalham para garantir toda a segurança durante o dia 30, dentre eles, policiais militares, bombeiros militares e agentes de trânsito que também recebem água mineral gelada já garantida com parceira de uma empresa privada.

Na tarde de hoje (23/06) foi feita nova tentativa de reverter a situação, porém foi mantida a decisão anterior. Diante disso foi realizada uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Instituto São Marçal, com a participação dos conselheiros Hélio Braga, Raimundo Morais, Paulo de Tasso, Gilson Pacheco e Lucia Costa que tomou a seguinte decisão: Se não houver mudança de concepção da Secretária Esther Marques, a entidade não se responsabilizará pela realização do 88º Encontro de Bumba-meu-boi de Matraca no João Paulo/Festa de São Marçal.

A coordenação

Sobre os comentários acerca da participação do 24ª Batalhão de Infantaria, a coordenação do evento no escreveu sobre:

O Exército Brasileiro, através do 24º Batalhão de Infantaria Leve tem apoiado irrestritamente a cultura maranhense. No Encontro dos bois de matraca no João Paulo sempre está de prontidão para receber os nossos heróis da cultura e simpatizantes que participam dessa tradicional e grandiosa manifestação popular. O novo Comandante Ten Cel Carlos Frederico de Azevedo Pires recebeu com muito entusiasmo os membros do Instituto São Marçal, Hélio Braga e Raimundo Morais, garantindo a parceria iniciada nas gestões anteriores reforçando o lema Braço Forte, Mão Amiga

A coordenação


Fonte: http://valberlucio.com/2015/06/23/festa-de-sao-marcal-uma-das-mais-tradicionais-dos-festejos-juninos-corre-o-risco-de-nao-acontecer-por-falta-de-apoio-da-secma/

segunda-feira, 22 de junho de 2015

REFERÊNCIA CULTURAL É...


Foto: Márcio Vasconcelos

Referências culturais são as artes, as formas de expressão e os modos de fazer. São as festas e os lugares a que a memória e a vida social atribuem sentido diferenciado: são as consideradas mais belas, mais lembradas, as mais queridas.
São fatos, atividades e objetos que mobilizam a gente mais próxima e que reaproximam as que estão distantes para que se reviva o sentimento de pertencimento a um grupo e de apropriação de um ligar.
São objeto, práticas e lugares apropriados pela cultura na construção de sentidos e de identidades.
(Neto de Azile - Gestor do Patrimônio Cultural Imaterial)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

RACISMO CULTURAL NO MARANHÃO




Patrimônio Cultural Imaterial (Tambor de Crioula) é vetado pela Secretaria de Comunicação do Estado a participar da Reinauguração da Praça Nauro Machado.

Nauro Machado é comumente conhecido como um poeta do povo ligado às tradições culturais do Estado do Maranhão. A praça localizada no centro-histórico que presta homenagem simbólica ao seu nome, e que já foi palco de grandes manifestações culturais será reinaugurada sem a presença do Tambor de Crioula, patrimônio cultural imaterial do Brasil. O que é triste. O fato aconteceu assim, um grupo de Tambor de Crioula, já estava agendando para a grande festa de amanhã (12/06), o que se sabe é que um telefonema vindo de dentro da Secretaria de Comunicação do Estado pediu imediatamente que e SECMA retirasse o grupo cultural e colocasse um show de seresta em seu lugar. Isso gerou um descontentamento e uma curiosidade: quem é está pessoa da Secretaria de Comunicação do Flavio Dino que não gosta de tambor de crioula? Este é mais um fato lamentável que mostra cada vez mais que os segmentos culturais não estão sendo levados a sério no processo de construção da programação do São João 2015. O slogan: “São João de Todos” já nasce desbotado e sem representatividade cultural.

Junior Catatau
Artista Popular, Coreiro, Boieiro. Delegado eleito ao III Fórum Estadual de Cultura do Maranhão. Professor de Filosofia do IFMA.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO LUIS



FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO LUIS

AMANHÃ no hotel ABEVILE 8h 30 será realizado o Fórum Municipal de Cultura que entre outras pautas tem a escolha dos delegados para o Fórum Estadual. No estadual que é ainda este mês sera eleição do NOVO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA. É bom lembrar que já houveram fóruns regionais promovidos pela SECMA por todo o Estado sem publicidade. São Luis inclusive não realizaria sua etapa. Então é o momento de MUDAR esse cenário. Aos que fazem cultura aqui é BOM participar. Não só cultura popular, mas a ERUDITA e TRADICIONAL que há muito não são alvos de políticas publicas de cultura. Nós que não fazemos cultura popular - Teatro Música Terreiro Coletivos Negros Coletivos Urbanos Bibliotecas e outros temos que participar

Amanhã 8h 30 Hotel Abevile no São Francisco. Almoço garantido.

NETO DE AZILE
Geógrafo
Gestor do Patrimônio Imaterial

domingo, 10 de maio de 2015

COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIRO COMO ESPAÇOS DE PRESERVAÇÃO DE MEMÓRIA

COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIRO: Espaços de preservação de memória.


QUAL A FUNÇÃO SOCIAL DE UM TERREIRO?

Vivemos numa conjuntura que ao mesmo tempo em que se exerce o direito constitucional de livre expressão da religiosidade e liberdade de culto, considerando o nosso país como um Estado laico os adeptos das religiões de matriz africana vivem a mercê de um massivo projeto de desqualificação, desrespeito, desmoralização, velada ou declarada, por professar seu credo. A todo o momento, têm-se notícias de situações de agressão a nossa religiosidade e discriminação fragilizando a identidade cultural e étnico-religiosa das comunidades tradicionais de terreiro interferindo na autoestima e no sentido de pertença de um povo.
O Tambor de Mina é a denominação no Maranhão para a prática afro-religiosa e exerce influência na musicalidade, na dança, artesanato, culinária, medicina popular, na organização social, ou seja, em todas as dimensões do imaginário popular e religioso do Estado do Maranhão. Na verdade, é a referência de identidade étnico-religiosa de grande parte da população do estado. O fortalecimento desta identidade, do ser, dos modos de fazer tradicionais que pautam o mecanismo de resistência e luta contra a intolerância religiosa é imprescindível no momento em que a modernidade impõe com mais força sua “civilidade”.
O desrespeito as religiões afro-brasileiras resultam do processo histórico de escravidão e hoje é alimentado ignorância no sentido literal, não conhecer o outro e construir um juízo de valor – um pré-conceito.
No dia 23 de abril, em festa em homenagem ao Orixá Ogun conversamos com o Babalorixá Pai Wender de Xangô do Tambor de Mina do Maranhão.

Segundo o Babalorixá Pai Wender de Xangô do Ilê Axé Obá Izo, Terreiro de Mina do Rei do Fogo, situado no bairro da Liberdade, os ~Terreiros são espaços tradicionais de resistência que vão além da realização do culto.


“”A função dos terreiros é de desconstruir a ideia de negatividade que as pessoas e a própria mídia mostra continuamente nas nos programas neopentecostais de televisão. Sendo a Liberdade um bairro periférico, e baixos índices educacionais e elevados índices de violência os terreiros se apresentam então como espaços religiosos que contextualizam a vida em várias dimensões: histórica, política social oferecendo a esta comunidade uma referência com modelos de convivência baseada em respeito hierárquico, responsabilidade com o outro, de ajuda mutua e integridade de caráter” afirmou.
Pai Wender de Xangô diz ainda que “os terreiros são lugares de práticas pedagógicas, espaços de desenvolvimento saberes e fazeres baseados na cidadania e luta contra qualquer forma de discriminação e preconceito, fomentando valores éticos e morais. Se apresentam ainda como alternativas de serviços de saúde, aconselhamento, de assistência social mesmo, baseado no legado ancestral de proteção à vida.
É somar com a comunidade na redução e prevenção da violência quando inclui jovens em risco social para dentro da vivência colaborativa e acolhimento. Esse resgate se dá pelo trabalho de mostrar a importância da religião como veículo de transformação social pois reafirma a importância do legado da cultura negra na construção desse país. “
“Ter uma casa de santo na Liberdade é um desafio já que vai de encontro a lógica racista e preconceituosa da sociedade quando inclui a comunidade em suas atividades, bem como o inverso, vai também a comunidade para conhecer e integrar-se” finalizou.


Ainda da Festa em comemoração a Ogun no Terreiro do Pai Wender entrevistamos que trabalha os Terreiros como ESPAÇOS DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA o que contribui para ampliar o entendimento sobre a importância destes espaços para a sociedade e para a história e memória do pais o que fortalece a luta contra o desrespeito, preconceito, pilares da INTOLERÂNCIA RELIGIOSA que sofrem estas comunidades.


O Pr. Dr. Greilson José de Lima é Antropólogo, graduado em Ciências Sociais, Doutor e Mestre em Antropologia (UFPE) com um estágio Pós-Doutoral em Sociologia (UFPB) e outro em Antropologia (UFPE). Hoje é Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão e Coordenador do grupo de pesquisa: Núcleo de performance, memória e religiosidades.

MATRIZES - QUAL A IMPORTÂNCIA DA VISÃO DOS TERREIROS COMO ESPAÇOS DE MEMÓRIA VIVA?
Resposta - Segundo Fonseca (2003), as pesquisas históricas têm constatado, no caso particular do Rio de Janeiro, que esta cidade na primeira metade do século XIX, foi quase africana, porém isto não ficou registrado nos bens que ali são identificados como patrimônio cultural brasileiro. E, o que fica latente, é que a política patrimonial tem sido conservadora e elitista e, na maioria das vezes seus critérios privilegiam bens dos grupos sociais de tradição europeia, que no caso brasileiro, correspondem as classes sociais mais abastadas.
Os terreiros são espaços de memória e toda memória é viva, o que marca a noção de memória é seu caráter atual e agregado a um coletivo que se reinventa. A questão é a representação dessa memória frente ou que o Estado vem definindo como patrimônio nacional, é uma questão de reconhecendo e de dar visibilidade ao que os terreiros sempre foram, parte da história da religiosidade e da cultura do nosso país, assim como, um lugar de aprendizado, de saberes outros que podem enriquecer nossa educação formal, inda alheia as potencialidades de outros saberes.
Muitos terreiros levam manifestações às ruas, o caso dos bois de encantaria, maracatus e outras manifestações que compõe seus rituais. Sabemos que muito da musicalidade e ritmos considerados brasileiros saíram dos terreiros, deste modo, os terreiros sempre fizeram parte das manifestações culturais e revelaram, cada um a sua forma, parte de suas tradições para sociedade mais ampla. Porém, o que acredito ser particular a esse momento histórico que vivemos é que, muitos terreiros que faziam uso de estratégias como o sincretismo ou invisibilidade de suas práticas para reduzir a opressão vêm compondo outra forma de enfrentamento. Este enfrentamento tem ocorrido diferente do que ocorreu, não pela invisibilidade, mas pelo ato de mostrasse ou reivindicarem serem mostrados de uma forma positivada, ou seja, a arena agora é o da performance política.
Acredito que os terreiros que reivindicaram sua condição de quilombo ou constroem memórias ou similares, estão assumindo o ato de contar suas histórias frete as representações outras marcadas pelo preconceito e discriminação. Se antes as estratégias eram a reclusão, escamoteamento de suas práticas vemos iniciativas mais afirmativas destes grupos, à medida que se tornam agentes de sua história, construindo nos interiores dos seus terreiros seus próprios acervos. Onde nestes espaços da memória, juntam objetos, imagens, textos e recontam a histórias dita oficial.
Outro elemento importante, além do apontado, é compreender como estas religiões marcadas pelo segredo e mistérios, espaço sagrados de acesso restrito, saberes e poderes apenas compartilhados por seus mestres, sacerdotes como elemento de fortalecimento de seus legados, estão compondo um espaço de exposição. E, por sua vez, a inserção em outros espaços, marcam disputas ou agregam na cena das identidades que podemos dizer nacional. Identidade estas, que se propõe agregadora dos diversos segmentos sociais, no tocante as políticas patrimoniais.
O que devemos reivindicar é o direito dos diversos grupos sociais de se representarem e, mediante a diversidade cultural do nosso país, o que chamamos de patrimônio, seja capaz, de algum modo, de permitir que diferentes grupos possam se reconhecer nesse repertório. Marcamos alguns apontamentos - (1) a importância de um estudo que explore as relações dos terreiros para além deste, ou os mecanismos pelos quais estes vêm se fazendo perceber pela sociedade envolvente; (2) as ações dos museus em outros lugares, como ação educativa e reflexiva sobre as bases da nossa educação formal e estatal e; (3) a importância de uma reflexão sobre a noção de patrimônio que, contemple a diversidade cultural e não apenas as histórias das elites, que permita que os “sem história” possam contar o que não foi dito ou bem dito pela história oficial.
MATRIZES - QUAL SUA POSIÇÃO ENQUANTO PESQUISADOR DA IMPORTÂNCIA DA ACADEMIA E SUAS PESQUISAS NOS TERREIROS?
R - As pesquisas sobre os terreiros ou as religiões afro-brasileiras na Antropologia Brasileira, sempre teve destaque e continua atraindo a curiosidade dos pesquisadores. A curiosidade acadêmica sobre os terreiros se estabelece, primeiramente, por esses serem espaço de sociabilidade que agregam memória, narrativas e diversos saberes e, segundo, por serem espaços paradigmáticos para pensar a sociedade brasileira e suas contradições.
Falo paradigmático porque, dos estudos sobre terreiro podemos pensar a indolências religiosa, racial e étnica sofrida pelos grupos de origem africana que compõe o que somos enquanto nação. Estas pesquisas além de investigar os elementos simbólicos, registraram a luta e resistência desses grupos frente a perseguições do Estado e da Justiça que criminalizava suas práticas e cultos. As perseguições e intolerâncias ainda continuam, houve avanços, porém, novas formas de repressão vem se redesenhado no campo religioso brasileiro, o que demanda mais pesquisas que identifiquem o desenvolvimento destas problemáticas.
As lutas dos movimentos sociais têm uma grande importância para as conquistas dos direitos sociais ou da manutenção destes direitos, por outros meios, o campo acadêmico que é diverso e complexo (que se desdobra no ensino, pesquisa e extensão) é mais uma ferramenta que, por meios de suas pesquisas e ações educativas, podem promover uma leitura mais críticas dos processos sociais. Contudo, penso que, assim como os movimentos sociais, a academia e a ações dos seus pesquisadores, tem suas potencialidades e limitações que, dependo dos seus princípios e capacidades de diálogo podem promover ou não uma sociedade mais democrática e tolerante.
Enquanto pesquisador, em particular na pesquisa sobre a memória das religiões afro-brasileiras, acredito que minha função é interpreta os processos pelos quais os líderes religiosos e suas comunidades ou terreiros vem se relacionando com a sociedade envolvente, por meio de artefatos (vídeos, livros, imagens e outros objetos) ou como estes se veem representados nos museus locais. Acredito que todo e qualquer conhecimento tem que ter como princípios a dignidade das pessoas, tendo como meta a promoção de uma sociedade mais democrática e ética. Com base nestes princípios, acredito que as pesquisas do grupo que coordeno irão contribuir com o debate que envolve as religiões afro-brasileiras e sua memória no contexto nacional e em particular no Estado do Maranhão.

UM RESUMO RÁPIDO DA PESQUISA DO PROFESSOR DOUTOR GREILSON LIMA
Gostaria de apresentar, rapidamente, a pesquisa que coordeno intitulada: Patrimônio, memória e os tesouros do sagrado: ações museais das casas de cultos de matriz africana e ameríndias no Estado do Maranhão, uma ação do Núcleo de Performance, Memória e Religiosidades da UEMA.
Esta vem analisando as ações de registro da memória na e das casas de culto afro-brasileiras no Maranhão, a partir dos acervos no interior dos terreiros e dos acervos em museus do Estado (digital ou não). De modo a investigar como estas formas de registro da memória, dialogam com o universo simbólico/religioso dos artefatos e como contribuem enquanto mecanismos de resistência e de ação afirmativa destes grupos religiosos, vitimados por uma história de preconceito, permitindo ou não que estes venham afirmar o direito a reconstrução de suas narrativas e a escrita de suas histórias frente às políticas patrimoniais vigentes.
Deste modo, partimos da premissa que, o que devemos reivindicar é o direito dos diversos grupos sociais de se representarem e, mediante a diversidade cultural do nosso país, o que chamamos de patrimônio, seja capaz, de algum modo, de permitir que diferentes grupos possam se reconhecer nesse repertório. Marcamos alguns apontamentos teóricos no tocante ao direcionamento desta pesquisa: (1) a importância de um estudo que explore as relações dos terreiros para além deste, ou os mecanismos pelos quais estes vêm se fazendo perceber pela sociedade envolvente; (2) as ações dos museus, em outros lugares, como ação educativa e reflexiva sobre as bases da nossa educação formal e estatal e; (3) a importância de uma reflexão sobre a noção de patrimônio que, contemple a diversidade cultural e não apenas as histórias das elites, que permita que os “sem história” possam contar o que não foi dito ou bem dito pela história oficial.
Esta pesquisa conta com a investigação de três museus maranhenses que, contam em seus acervos, com artefatos, imagens, vídeos e textos que remetem as religiões afro-brasileiras: O Cafua das Mercês (ou Museu do Negro); o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho e; O Museu Afro-Digital do Maranhão. Além destes espaços, nossa pesquisa irá contar com os registros da memória ou os modos que esta se apresenta em quatro casas de cultos do Maranhão :(i) a Casa das Minas, (ii) a Casa de Nagô, (iii) a Casa Fanti-Ashanti e (iv) o Terreiro de Iemanjá do Falecido Jorge De Itacy.
Como existe todo um debate, a nível nacional, sobre as minorias raciais e étnicas e as ações afirmativas que buscam restituir a dignidade e a alto estima destes grupos, esta pesquisa, que explora o contexto das religiões afro-brasileiras no Maranhão, incita uma a reflexão desta problemática, buscando contrapor as formas antes depreciativas e como estes foram representados em museus, apontando meios alternativos pelos quais estes grupos vêm construindo suas narrativas antes invisibilizadas. E, quando confrontamos narrativas de forma respeitosa, reconstruímos a história, e este fato, nos permite, além de uma contribuição teórica e epistêmica, uma atitude de cidadania e respeito às diferenças.
Por sua vez, este pesquisa, também se justifica por suas metas que são: (1) construir um panorama das iniciativas museais no Estado do Maranhão, em terreiros de religião afro-brasileira, bem como as implicações políticas dos seus agentes e idealizadores na elaboração e exposição de seus acervos; (2) avaliar como estas ações funcionam como dispositivo de inclusão social e cidadania destes grupos religiosos, bem como, apontam para o novo processo de produção e institucionalização de memória constitutiva da diversidade étnica, religiosa e cultural do país e nossas formas de ensino e aprendizagem; (3) colaborar na construção de um acervo de imagens dos memoriais e produções textuais sobre estas experiências e, em consenso com estes grupos, disponibilizar virtualmente, de uma forma que seja constantemente realimentado e funcione como espaço diálogo. E, desta forma, visibilizando e promovendo o acesso a esse acervo; (4) atuar como agente de qualificação de estudantes de graduação dos cursos de Ciências Sociais (licenciatura e bacharelado) da Universidade Estadual de Maranhão.
(Dr. Greilson José de Lima - Antropólogo, professor e pesquisador da UEMA)